Alto patrão da FESA e sócios com dívida de mais de 970 milhões Kz ao BCI, mas só estão disponíveis a pagar 45%.

Trata-se de figuras que, hoje ou nos anos anteriores, já desempenharam responsabilidades no aparelho do Estado. É o caso de Maria Nelumba e Ismael Diogo, que, segundo fontes próximas ao processo, esquivam-se a atender às notificações do BCI para, entre outros, ver saldada uma dívida junto daquela entidade bancária.

Um total de 970,8 milhões de Kwanzas é o quanto o Banco de Comércio e Indústria (BCI) tem registado como dívida e juros de mora em nome de um grupo de antigos sócios da empresa Suninvest, de acordo com vários documentos e contratos de crédito em posse de pessoas próximas ao processo.

Ao que sabemos, o banco detido pelo Grupo Carrinho convocou o grupo de  mutuários para a redefinição ou reestruturação da dívida, num mecanismo já seguido por outros bancos da praça, mas, segundo avançou o Novo Jornal, os donos da Sunninvest só se mostraram disponíveis a pagar até 45% do valor em dívida e respectivos juros de mora.

Do grupo de devedores, contam os nomes da governadora do Bengo, Maria Nelumba e do PCA da Fundação Eduardo Dos Santos (FESA), Ismael Diogo. A breve lista com mais ou menos cinco nomes integram nomes de outros senhores do empresariado nacional, que, ao que chegou ao nosso cuidado, até reconhecem a existência da dívida, mas que não mostram pretensão de liquidar, quadro que está já a causar prejuízos a um banco que “sempre foi amigo das famílias e de vários funcionários públicos que lá têm contas-salários domiciliadas”, conforme fonte da instituição bancária.

Neste momento, só são conhecidos os endereços dos dois nomes citados com ênfase na denúncia, nomeadamente a governadora Maria Nelumba e o gestor da FESA, o senhor Ismael Diogo. Parte do grupo supõem-se que estejam foragidos já que o banco desconhece os seus actuais endereços.  

Em dólar, trata-se de um valor perto dos dois milhões, precisamente 1.897.198,95, avultadas somas que este grupo de empresários – outros actualmente gestores públicos – se recusam a liquidar.

Aliás, uma matéria recente do Novo Jornal avança mesmo que o BCI já reclama por este envelope financeiro, que muito ajudaria na libertação de créditos às famílias ou até aos empréstimos ao abrigo do Aviso nº10 do Banco Nacional de Angola. De acordo com a cronologia dos factos, este crédito terá sido contraído ao abrigo de um programa para reabilitar e cuidar da gestão da Angomédica por um período de 15 anos, fruto de um acordo assinado entre o Ministério da Saúde e a Suninvest em 2004, por via de uma orientação do malogrado Presidente da República, José Eduardo dos Santos, isto é, de acordo ainda com diversos documentos ligados ao dossier.

Com os juros dispararem, e pensando a actual governadora que o banco nunca iria atra´s dela, o grupo de sócios, em uníssono, justificam com falta de liquidez ou, pelas suas palavras, “não gozam de uma boa saúde financeira” para liquidar a conta junto de um banco que agora é propriedade privada.

Neste momento, com juros de mora e o crédito vencido, a Suninvest conta com um passivo acumulado de 970,8 milhões Kz (2 milhões de dólares) no BCI, pois, dos 922,6 milhões de kwanzas solicitados ao banco, foram acrescidos juros no montante de 48,2 milhões Kz, perfazendo o valor total da dívida em 970,7 milhões Kz, até Dezembro de 2022, lê-se na papelada em nossa posse.

Para fazer face ao prejuízo e ajudar este grupo de empresários a liquidar a dívida, a 11 de Outubro de 2022, o BCI, já nas mãos do Grupo Carrinho, convocou o grupo empresarial Suninvest, a quem o Governo anulou a privatização da Angomédica em 2019, para negociar o pagamento da dívida em incumprimento, bem como olhar para a sua reestruturação, perdoando, por via disso, 100% de juros de mora e 50 de juros vencidos.

Entretanto, a resposta do grupo a que pertence Maria Nelumba se manteve intacta: "não temos capacidade de amortizar [a dívida] na sua totalidade junto da entidade creditícia", facto que a muitos analistas não passa de um “choro” no sentido de que o Estado, mais uma vez, entre com um capital, ou, no limite o BCI perdoe a dívida, facto que não está em cima da mesa, já que o banco vem de um processo de reestruturação e mantém foco no apoio ao crédito à economia nacional, assim como às famílias.

De acordo com um levantamento exaustivo feito ao passado da Suninvest, sabe-se que o grupo foi fundado pelo libanês Ramzi Klink, apoiado pelos angolanos Mário Leonel da silva Rocha Correia e José Antunes Neto Queiroz.  

Dados disponíveis na internet apontam que Ramzi Klink além de ser beneficiário último da Suninvest já teve tentáculos na extinta Odebrecht. 

*Com Novo Jornal

Alto patrão da FESA e sócios com dívida de mais de 970 milhões Kz ao BCI, mas só estão disponíveis a pagar 45%

Trata-se de figuras que, hoje ou nos anos anteriores, já desempenharam responsabilidades no aparelho do Estado. É o caso de Maria Nelumba e Ismael Diogo, que, segundo fontes próximas ao processo, esquivam-se a atender às notificações do BCI para, entre outros, ver saldada uma dívida junto daquela entidade bancária.

abril 8, 2023 - 14:04
Última atualização   - 19:07
Alto patrão da FESA e sócios com dívida de mais de 970 milhões Kz ao BCI, mas só estão disponíveis a pagar 45%
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Um total de 970,8 milhões de Kwanzas é o quanto o Banco de Comércio e Indústria (BCI) tem registado como dívida e juros de mora em nome de um grupo de antigos sócios da empresa Suninvest, de acordo com vários documentos e contratos de crédito em posse de pessoas próximas ao processo.

Ao que sabemos, o banco detido pelo Grupo Carrinho convocou o grupo de  mutuários para a redefinição ou reestruturação da dívida, num mecanismo já seguido por outros bancos da praça, mas, segundo avançou o Novo Jornal, os donos da Sunninvest só se mostraram disponíveis a pagar até 45% do valor em dívida e respectivos juros de mora.

Do grupo de devedores, contam os nomes da governadora do Bengo, Maria Nelumba e do PCA da Fundação Eduardo Dos Santos (FESA), Ismael Diogo. A breve lista com mais ou menos cinco nomes integram nomes de outros senhores do empresariado nacional, que, ao que chegou ao nosso cuidado, até reconhecem a existência da dívida, mas que não mostram pretensão de liquidar, quadro que está já a causar prejuízos a um banco que “sempre foi amigo das famílias e de vários funcionários públicos que lá têm contas-salários domiciliadas”, conforme fonte da instituição bancária.

Neste momento, só são conhecidos os endereços dos dois nomes citados com ênfase na denúncia, nomeadamente a governadora Maria Nelumba e o gestor da FESA, o senhor Ismael Diogo. Parte do grupo supõem-se que estejam foragidos já que o banco desconhece os seus actuais endereços.  

Em dólar, trata-se de um valor perto dos dois milhões, precisamente 1.897.198,95, avultadas somas que este grupo de empresários – outros actualmente gestores públicos – se recusam a liquidar.

Aliás, uma matéria recente do Novo Jornal avança mesmo que o BCI já reclama por este envelope financeiro, que muito ajudaria na libertação de créditos às famílias ou até aos empréstimos ao abrigo do Aviso nº10 do Banco Nacional de Angola. De acordo com a cronologia dos factos, este crédito terá sido contraído ao abrigo de um programa para reabilitar e cuidar da gestão da Angomédica por um período de 15 anos, fruto de um acordo assinado entre o Ministério da Saúde e a Suninvest em 2004, por via de uma orientação do malogrado Presidente da República, José Eduardo dos Santos, isto é, de acordo ainda com diversos documentos ligados ao dossier.

Com os juros dispararem, e pensando a actual governadora que o banco nunca iria atra´s dela, o grupo de sócios, em uníssono, justificam com falta de liquidez ou, pelas suas palavras, “não gozam de uma boa saúde financeira” para liquidar a conta junto de um banco que agora é propriedade privada.

Neste momento, com juros de mora e o crédito vencido, a Suninvest conta com um passivo acumulado de 970,8 milhões Kz (2 milhões de dólares) no BCI, pois, dos 922,6 milhões de kwanzas solicitados ao banco, foram acrescidos juros no montante de 48,2 milhões Kz, perfazendo o valor total da dívida em 970,7 milhões Kz, até Dezembro de 2022, lê-se na papelada em nossa posse.

Para fazer face ao prejuízo e ajudar este grupo de empresários a liquidar a dívida, a 11 de Outubro de 2022, o BCI, já nas mãos do Grupo Carrinho, convocou o grupo empresarial Suninvest, a quem o Governo anulou a privatização da Angomédica em 2019, para negociar o pagamento da dívida em incumprimento, bem como olhar para a sua reestruturação, perdoando, por via disso, 100% de juros de mora e 50 de juros vencidos.

Entretanto, a resposta do grupo a que pertence Maria Nelumba se manteve intacta: "não temos capacidade de amortizar [a dívida] na sua totalidade junto da entidade creditícia", facto que a muitos analistas não passa de um “choro” no sentido de que o Estado, mais uma vez, entre com um capital, ou, no limite o BCI perdoe a dívida, facto que não está em cima da mesa, já que o banco vem de um processo de reestruturação e mantém foco no apoio ao crédito à economia nacional, assim como às famílias.

De acordo com um levantamento exaustivo feito ao passado da Suninvest, sabe-se que o grupo foi fundado pelo libanês Ramzi Klink, apoiado pelos angolanos Mário Leonel da silva Rocha Correia e José Antunes Neto Queiroz.  

Dados disponíveis na internet apontam que Ramzi Klink além de ser beneficiário último da Suninvest já teve tentáculos na extinta Odebrecht. 

*Com Novo Jornal