BAI fecha quarto trimestre de 2022 com os lucros a caírem 29%.

Balancete do quarto trimestre do maior banco angolano em activos, o BAI, revela resultado de apenas 100,2 mil milhões de Kwanzas, quando no período homólogo de 2021 a gestão inscreveu lucros de 141,5 mil milhões. Evolução residual das margens financeiras ajudam a explicar a queda nos ganhos.

O Banco Angolano de Investimento (BAI) fechou as contas do quarto trimestre de 2022 com resultados líquidos de apenas 100,2 mil milhões de Kwanzas, um recuo de 29% se comparado com as contas de igual período do ano anterior, altura em que este ‘gigante’ da banca nacional recolheu lucros de 141,5 mil milhões, de acordo com cálculos do Kieto Economia, com base no balancete da instituição.

Apesar de que as contas do quarto trimestre só reflectem os dados do banco no período em referência, analistas financeiros e até técnicos do sector bancário de diversas áreas garantiram ao Kieto Economia que o último trimestre do ano pode espelhar como as contas totais de todo o exercício vão encerrar. “Isto é assim no BAI, como noutro qualquer banco do planeta”, interpretou uma fonte bem posicionada naquela entidade bancária a quem o jornal recorreu para buscar alguns esclarecimentos. 

Também o economista Alberto Vunge considera que o quadro pode manter-se assim até ao fecho das contas gerais, caso não haja alterações substanciais no balanço. “Se não houver ajustamentos materiais em sede de auditoria entre Janeiro e Março, sim [as contas podem terminar assim ]. Janeiro e Março de 2023 é extensão de Dezembro de 2022. É o período que decorrem as auditorias e os ajustamentos às contas de 2022 podem ser feitos”, explicou o perito economista.

Assim, se se materializar as projecções de economistas ouvidos pelo Kieto Economia, o maior banco angolano em activos fechará todo o ano 2022 a reportar queda nos lucros aos seus accionistas. Aliás, há muito que o BAI perde para a concorrência na liderança dos lucros da banca nacional. 

O lugar é  hoje comandado pelo Banco de Fomento Angola (BFA), que há já alguns anos não deixa a posição em ‘mãos’ da concorrência, o que constitui, segundo analistas, “má notícia para os accionistas do BAI que têm aplicado o seus recursos, já que, baixo lucro, significa baixa distribuição de dividendos”. 

Por sua vez, Alberto Vunge defende que o efeito da queda dos lucros nos dividendos não é linear, ou seja, não acontece necessariamente nestes termos. “Depende se o banco está ou não comprometido com um treshold (valor mínimo) em termos de dividendo para o período e tiver acumulado resultados de exercícios anteriores cuja utilização não ponha em causa a qualidade dos fundos próprios”, explicou o também acadêmico. 

Ainda assim, o economista não deixa de concordar que, no actual cenário de maior exigências de recursos por parte do regulador, estas alterações nos lucros terão sempre impacto nos dividendos. “Mas o normal, e no actual cenário de uma maior exigência em matéria de requisitos de capital, é um corte nos resultados implique uma fraca distribuição de dividendos”, adverte o analista financeiro. 

O balancete do banco disponível no seu website não traz notas explicativas sobre a  evolução das contas no referido período, mas o mesmo documento revela, através dos números, que o fraco desempenho das margens financeiras podem ter afectado os lucros. 

Por exemplo, só o crédito, importante rubrica do balanço e parte fundamental do negócio dos bancos, teve um moderado crescimento de apenas 10%. Ou seja, no período, o banco teve um stock de crédito na ordem dos 392,3 mil milhões de Kwanzas, quando em igual período de 2021 as contas daquele trimestre assinalavam para um total de crédito na ‘casa’ dos 356,9 mil milhões de Kwanzas.

O crédito não é a única rubrica do balanço que registou tímido desempenho. De acordo com o balancete do período, os títulos e valores mobiliários, rubrica em que os bancos mais se têm focado nos últimos anos, registou igualmente uma evolução residual, tendo fechado o quarto trimestre a subir os moderados 14%, ao saírem de 1,1 bilião de Kwanzas, em 2021, para 1,3 biliões até 31 de Dezembro de 2022. 

Ainda assim, o BAI teve registo positivo na evolução do seu activo. Nos três últimos meses de 2022, o banco gerido por Luís Lélis inscreveu um crescimento de 5,1% nos activos, ao sair dos anteriores 3,03 biliões de Kwanzas, para 3,19 biliões até 31 de Dezembro de 2022.

Este jornal contactou, de várias formas, a instituição bancária, incluindo o seu gabinete de comunicação institucional, para, entre outros, entender o que esteve na base da queda substancial nos lucros do banco, e sobre o crescimento marginal nas rubricas crédito e títulos de valores mobiliários, mas, até ao fecho deste artigo, 17 horas, não obteve respostas.

BAI fecha quarto trimestre de 2022 com os lucros a caírem 29%

Balancete do quarto trimestre do maior banco angolano em activos, o BAI, revela resultado de apenas 100,2 mil milhões de Kwanzas, quando no período homólogo de 2021 a gestão inscreveu lucros de 141,5 mil milhões. Evolução residual das margens financeiras ajudam a explicar a queda nos ganhos.

Mar 22, 2023 - 12:06
Última atualização   - 14:22
BAI fecha quarto trimestre de 2022 com os lucros a caírem 29%
© Fotografia por: DR

O Banco Angolano de Investimento (BAI) fechou as contas do quarto trimestre de 2022 com resultados líquidos de apenas 100,2 mil milhões de Kwanzas, um recuo de 29% se comparado com as contas de igual período do ano anterior, altura em que este ‘gigante’ da banca nacional recolheu lucros de 141,5 mil milhões, de acordo com cálculos do Kieto Economia, com base no balancete da instituição.

Apesar de que as contas do quarto trimestre só reflectem os dados do banco no período em referência, analistas financeiros e até técnicos do sector bancário de diversas áreas garantiram ao Kieto Economia que o último trimestre do ano pode espelhar como as contas totais de todo o exercício vão encerrar. “Isto é assim no BAI, como noutro qualquer banco do planeta”, interpretou uma fonte bem posicionada naquela entidade bancária a quem o jornal recorreu para buscar alguns esclarecimentos. 

Também o economista Alberto Vunge considera que o quadro pode manter-se assim até ao fecho das contas gerais, caso não haja alterações substanciais no balanço. “Se não houver ajustamentos materiais em sede de auditoria entre Janeiro e Março, sim [as contas podem terminar assim ]. Janeiro e Março de 2023 é extensão de Dezembro de 2022. É o período que decorrem as auditorias e os ajustamentos às contas de 2022 podem ser feitos”, explicou o perito economista.

Assim, se se materializar as projecções de economistas ouvidos pelo Kieto Economia, o maior banco angolano em activos fechará todo o ano 2022 a reportar queda nos lucros aos seus accionistas. Aliás, há muito que o BAI perde para a concorrência na liderança dos lucros da banca nacional. 

O lugar é  hoje comandado pelo Banco de Fomento Angola (BFA), que há já alguns anos não deixa a posição em ‘mãos’ da concorrência, o que constitui, segundo analistas, “má notícia para os accionistas do BAI que têm aplicado o seus recursos, já que, baixo lucro, significa baixa distribuição de dividendos”. 

Por sua vez, Alberto Vunge defende que o efeito da queda dos lucros nos dividendos não é linear, ou seja, não acontece necessariamente nestes termos. “Depende se o banco está ou não comprometido com um treshold (valor mínimo) em termos de dividendo para o período e tiver acumulado resultados de exercícios anteriores cuja utilização não ponha em causa a qualidade dos fundos próprios”, explicou o também acadêmico. 

Ainda assim, o economista não deixa de concordar que, no actual cenário de maior exigências de recursos por parte do regulador, estas alterações nos lucros terão sempre impacto nos dividendos. “Mas o normal, e no actual cenário de uma maior exigência em matéria de requisitos de capital, é um corte nos resultados implique uma fraca distribuição de dividendos”, adverte o analista financeiro. 

O balancete do banco disponível no seu website não traz notas explicativas sobre a  evolução das contas no referido período, mas o mesmo documento revela, através dos números, que o fraco desempenho das margens financeiras podem ter afectado os lucros. 

Por exemplo, só o crédito, importante rubrica do balanço e parte fundamental do negócio dos bancos, teve um moderado crescimento de apenas 10%. Ou seja, no período, o banco teve um stock de crédito na ordem dos 392,3 mil milhões de Kwanzas, quando em igual período de 2021 as contas daquele trimestre assinalavam para um total de crédito na ‘casa’ dos 356,9 mil milhões de Kwanzas.

O crédito não é a única rubrica do balanço que registou tímido desempenho. De acordo com o balancete do período, os títulos e valores mobiliários, rubrica em que os bancos mais se têm focado nos últimos anos, registou igualmente uma evolução residual, tendo fechado o quarto trimestre a subir os moderados 14%, ao saírem de 1,1 bilião de Kwanzas, em 2021, para 1,3 biliões até 31 de Dezembro de 2022. 

Ainda assim, o BAI teve registo positivo na evolução do seu activo. Nos três últimos meses de 2022, o banco gerido por Luís Lélis inscreveu um crescimento de 5,1% nos activos, ao sair dos anteriores 3,03 biliões de Kwanzas, para 3,19 biliões até 31 de Dezembro de 2022.

Este jornal contactou, de várias formas, a instituição bancária, incluindo o seu gabinete de comunicação institucional, para, entre outros, entender o que esteve na base da queda substancial nos lucros do banco, e sobre o crescimento marginal nas rubricas crédito e títulos de valores mobiliários, mas, até ao fecho deste artigo, 17 horas, não obteve respostas.

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