Carlos Rosado de Carvalho diz não haver dados estatísticos de desenvolvimento no leste de Angola.

Numa abordagem sob o tema “O desenvolvimento do leste de Angola marca passos” no programa Makas da Economia da rádio MFM, o economista e mais assíduo comentador da estação radiofónica, Carlos Rosado de Carvalho, disse que não há dados estatísticos de indicadores de desenvolvimento nas assimetrias regionais do país.

O economista que se encontra no município do Luena província do Moxico, para um workshop sobre  “O desenvolvimento do leste de Angola” disse que o  maior desafio por ele encontrado para a sua apresentação é a falta de dados provinciais, quer nas Repartições, Direcções provincias ou sites do governo central, sobretudo no Instituto Nacional de Estatística (INE).

Ressaltou, quem faz a contas nacionais é o INE e, este não apresenta PIB`s provinciais, houve  a dada altura planos de desenvolvimento provincial, porém os dados também não se assemelham ou ainda são estemporâneos.

O comentador entende que a falta de indacadores não só na região leste, mas também nas demais províncias de Angola associa-se  a “probreza”  não se conhece o Produto Interno Bruto (PIB) províncial, não se sabe o Indicador de Desenvolvimento Humano (IDH), “ sem informações não se pode determinar qualquer evolução” quer económica, demografica e também social. 

Para o economista, o índice de pobreza é o maior recurso a recorrer para se fazer qualquer análise, porque existem registos provinciais de pobreza monetária e há também registos municípais de pobreza multidimensional.

Em 2018 a 2019 o país realizou um estudo para se determinar o nível de pobreza menetária que afecta o território nacional. A extrema pobreza é medida apartir de indicadores de consumo alimentar e não alimentar de um agregado familiar, uma vez que o consumo alimentar das famílias deve proporcionar no mínimo dois mil e cem calorias diariamente.

De acordo com o INE a linha de pobreza naquele período afixou-se em 12 mil e 181 kwanzas à preços da cesta do ano de 2018, esta soma é quase nada para quem por exemplo tem um consumo mensal inferior, com este valor se for aplicar no Moxico pode-se aferir que 62,8 por cento da população, na provincía, é a mais pobre do país, destacou.

Em seguida, pode se aplicar a linha de pobreza para as províncias mais a norte do Moxico,  a Lunda-sul com 51,6 por cento, a Lunda-norte é a segunda província menos pobre da região leste, uma excessão, que se afixou em 22,1 por cento, perto da cidade capital- Luanda que representou 20,1 por cento do nível de probreza em sete anos atrás.

Carlos Rosado de Carvalho, acredita que a excessão a Lunda-norte deve-se a actividade comercial e também ilegal de diamantes vulgo “garimpo”, como também pelo facto de a população participar activamente da exploração artesanal.

Do ponto de vista de pobreza “ temos aqui dois leste” por um lado o Alto nzambeze que é rico em recursos naturais, mas se limita a explorar a madeira, é esta a razão de ser a mais pobre do país, a Lunda-sul onde se encontra a central de exploração de mineira a Catoca, embora industrial, ainda assim é a sexta província mais pobre de Angola e por último a excessão da Lunda-norte com menos incidência.

Quanto a pobreza multidimensional esta não tem que ver com o consumo de bens e serviços,  esta centra-se no bem-estar da população, no acesso à saúde, habitação, a qualidade de ensino, alimentação, emprego entre outros direitos humanos.

E nesta vertente o leste ainda é o epicentro do subdesenvolvimento, pois se o idivíduo for privado de 35 por cento desses direitos ou indicadores, pode-se assim considerar mais pobre,  porque embora hoje já se houve falar pouco, mas os nivéis de pobreza  ainda são elevados.

Na Lunda-sul o nível é de aproxímadamente 70 por cento, o que significa que 35 por cento da população ainda é privada do acesso aos indicadores de bem-estar, no Moxico são cerca de 76,2 por cento que vivem de privação aos direitos humanos por consequência de extrema pobreza.

E neste quadro a Lunda-norte inverte os papéis, passando de segunda com menos pobreza monetária para a província com maior indicador de pobreza multidimensional, “a Lunda-norte tem dinheiro, consumo ou receitas”, porém as condições de bem-estar social são as mais pobres “péssimas”.

Para concluir o analista disse que para se combater as assemetrias regionais é necessários que se faça um sólido investimento nestas regiões afim de se criar uma economia robusta.
Financiamento do Estado.

Carlos Rosado de Carvalho revelou que as mutações orçamentais destinadas a região leste estão pela metade da população, ou sejá, o montante disponibilizado esta dentre as nove pronvíncias com a menor quantia atribuída no Orçamento Geral do Estado.

A mutação em valor absoluto, pode ser medida de alguma forma em termos de população, há que se determinar o orçamento por habitante nas diferentes províncias, sendo que o Moxico tem o menor orçamento do país.

Para finalizar o economista recomendou a não parar as Autárquias, para se faça melhor gestão das receitas provínciais, sobretudo da região em causa, dessa forma o país poderá registar os melhores indicadores de desenvolvimento económico-social nos proxímos tempos.

De recordar que o Presidente da Republica João Gonçalves Manuel Lourenço, em 2022 disse que o Leste de Angola não é só diamantes “temos de tirar da nossa cabeça que o Leste de Angola só tem diamantes. O Leste de Angola tem diamantes, mas isso não impede que façamos uma aposta séria na agricultura”.

Fonte: RNA

Carlos Rosado de Carvalho diz não haver dados estatísticos de desenvolvimento no leste de Angola

Numa abordagem sob o tema “O desenvolvimento do leste de Angola marca passos” no programa Makas da Economia da rádio MFM, o economista e mais assíduo comentador da estação radiofónica, Carlos Rosado de Carvalho, disse que não há dados estatísticos de indicadores de desenvolvimento nas assimetrias regionais do país.

Set 6, 2023 - 09:21
Última atualização   - 18:14
Carlos Rosado de Carvalho diz não haver dados estatísticos de desenvolvimento no leste de Angola
© Fotografia por: DR
Carlos Rosado de Carvalho diz não haver dados estatísticos de desenvolvimento no leste de Angola

O economista que se encontra no município do Luena província do Moxico, para um workshop sobre  “O desenvolvimento do leste de Angola” disse que o  maior desafio por ele encontrado para a sua apresentação é a falta de dados provinciais, quer nas Repartições, Direcções provincias ou sites do governo central, sobretudo no Instituto Nacional de Estatística (INE).

Ressaltou, quem faz a contas nacionais é o INE e, este não apresenta PIB`s provinciais, houve  a dada altura planos de desenvolvimento provincial, porém os dados também não se assemelham ou ainda são estemporâneos.

O comentador entende que a falta de indacadores não só na região leste, mas também nas demais províncias de Angola associa-se  a “probreza”  não se conhece o Produto Interno Bruto (PIB) províncial, não se sabe o Indicador de Desenvolvimento Humano (IDH), “ sem informações não se pode determinar qualquer evolução” quer económica, demografica e também social. 

Para o economista, o índice de pobreza é o maior recurso a recorrer para se fazer qualquer análise, porque existem registos provinciais de pobreza monetária e há também registos municípais de pobreza multidimensional.

Em 2018 a 2019 o país realizou um estudo para se determinar o nível de pobreza menetária que afecta o território nacional. A extrema pobreza é medida apartir de indicadores de consumo alimentar e não alimentar de um agregado familiar, uma vez que o consumo alimentar das famílias deve proporcionar no mínimo dois mil e cem calorias diariamente.

De acordo com o INE a linha de pobreza naquele período afixou-se em 12 mil e 181 kwanzas à preços da cesta do ano de 2018, esta soma é quase nada para quem por exemplo tem um consumo mensal inferior, com este valor se for aplicar no Moxico pode-se aferir que 62,8 por cento da população, na provincía, é a mais pobre do país, destacou.

Em seguida, pode se aplicar a linha de pobreza para as províncias mais a norte do Moxico,  a Lunda-sul com 51,6 por cento, a Lunda-norte é a segunda província menos pobre da região leste, uma excessão, que se afixou em 22,1 por cento, perto da cidade capital- Luanda que representou 20,1 por cento do nível de probreza em sete anos atrás.

Carlos Rosado de Carvalho, acredita que a excessão a Lunda-norte deve-se a actividade comercial e também ilegal de diamantes vulgo “garimpo”, como também pelo facto de a população participar activamente da exploração artesanal.

Do ponto de vista de pobreza “ temos aqui dois leste” por um lado o Alto nzambeze que é rico em recursos naturais, mas se limita a explorar a madeira, é esta a razão de ser a mais pobre do país, a Lunda-sul onde se encontra a central de exploração de mineira a Catoca, embora industrial, ainda assim é a sexta província mais pobre de Angola e por último a excessão da Lunda-norte com menos incidência.

Quanto a pobreza multidimensional esta não tem que ver com o consumo de bens e serviços,  esta centra-se no bem-estar da população, no acesso à saúde, habitação, a qualidade de ensino, alimentação, emprego entre outros direitos humanos.

E nesta vertente o leste ainda é o epicentro do subdesenvolvimento, pois se o idivíduo for privado de 35 por cento desses direitos ou indicadores, pode-se assim considerar mais pobre,  porque embora hoje já se houve falar pouco, mas os nivéis de pobreza  ainda são elevados.

Na Lunda-sul o nível é de aproxímadamente 70 por cento, o que significa que 35 por cento da população ainda é privada do acesso aos indicadores de bem-estar, no Moxico são cerca de 76,2 por cento que vivem de privação aos direitos humanos por consequência de extrema pobreza.

E neste quadro a Lunda-norte inverte os papéis, passando de segunda com menos pobreza monetária para a província com maior indicador de pobreza multidimensional, “a Lunda-norte tem dinheiro, consumo ou receitas”, porém as condições de bem-estar social são as mais pobres “péssimas”.

Para concluir o analista disse que para se combater as assemetrias regionais é necessários que se faça um sólido investimento nestas regiões afim de se criar uma economia robusta.
Financiamento do Estado.

Carlos Rosado de Carvalho revelou que as mutações orçamentais destinadas a região leste estão pela metade da população, ou sejá, o montante disponibilizado esta dentre as nove pronvíncias com a menor quantia atribuída no Orçamento Geral do Estado.

A mutação em valor absoluto, pode ser medida de alguma forma em termos de população, há que se determinar o orçamento por habitante nas diferentes províncias, sendo que o Moxico tem o menor orçamento do país.

Para finalizar o economista recomendou a não parar as Autárquias, para se faça melhor gestão das receitas provínciais, sobretudo da região em causa, dessa forma o país poderá registar os melhores indicadores de desenvolvimento económico-social nos proxímos tempos.

De recordar que o Presidente da Republica João Gonçalves Manuel Lourenço, em 2022 disse que o Leste de Angola não é só diamantes “temos de tirar da nossa cabeça que o Leste de Angola só tem diamantes. O Leste de Angola tem diamantes, mas isso não impede que façamos uma aposta séria na agricultura”.

Fonte: RNA