Saída de Carlos Duarte do Banco Económico ‘destapa’ crise profunda na instituição.

Por desalinhamento aos interesses dos novos donos do ex-BESA, Carlos Duarte decidiu abandonar a função de presidente da comissão executiva da entidade bancária que ficou largos anos sem apresentar as contas.

O gestor Carlos Duarte já não é o presidente da comissão executiva (PCE) do Banco Económico, após ter apresentado, no final da tarde desta Segunda-feira, 13, ao conselho de administração a sua carta de renúncia, uma saída que deixa a descoberto um conjunto de problemas naquela instituição que só resiste no mercado angolano por decisão do banco central, como relataram fontes convergentes naquele banco.

No lugar de Carlos Duarte, o ‘board’ decidiu colocar Victor Cardoso, um gestor que a administração garante, na nota enviada à nossa redacção, ter “um sólido currículo acadêmico e um percurso profissional notável no sistema financeiro (…)”.

Oficialmente, a saída de Calos Duarte da gestão do Banco Económico é justificada por “razões pessoais”, mas o jornal Kieto Economia sabe, através de suas fontes junto do banco, que está na base do recuo do gestor desalinhamento com os interesses dos accionistas, um grupo de empresários e depositantes da entidade que foram transformados em accionistas pelo Banco Nacional de Angola (BNA), numa estratégia que o supervisor angolano encontrou para ‘salvar’ o ex-BESA, mas que se tem revelada “ineficaz”.

Segundo apurou o Kieto Economia, a crise do banco vai além do que a gestão tem ‘transpirado’ para a media, nomeadamente a estratégia de encerramento de agências e o consequente despedimento de colaboradores. Ao banco, são apontadas dificuldades de ordem financeiras graves, o que levou, por exemplo, “a contabilidade da instituição a fazer arranjos nos relatórios e contas dos anos anteriores para dar a entender ao público que o banco gozava de boa saúde”.

Embora não se saiba ainda das contas do banco referente ao quatro trimestre de 2022, a nossa fonte garantiu mesmo que, até finais de Dezembro do ano passado, o banco volta a registar prejuízos, situação que deverá continuar nos próximos exercícios financeiros.
“Este banco é um gigante de pés de barro. Não é concebível que tenhamos uma estrutura física como este edificio e não termos dinheiro para dar aos nossos clientes. Nem mesmo para salário. Esse banco não existe, na prática”, desabafou a fonte, referindo-se aos dias sombrios porque passa uma das instituições financeiras bancárias que já foi o exlibris da banca angolana.

Carlos Duarte não demorou um ano no mandato, isto depois de ter deixado a sua função de gestor da ENSA. Aliás, devido à crise do Banco Económico, a Carlos Duarte foi vedada até a possibilidade de contratação de pessoal, uma vez que, até para pagar salários, o banco já equacionava socorrer-se de empréstimos junto do BNA.

Ao Kieto Economia, analistas não descartam a possibilidade de estar a aproximarem-se dias ainda mais dificil na administração daquele banco, uma situação que, segundo os peritos, será imputada ao banco central já que “não escolheu as melhores opções para salvar o Económico, que é ‘Too Big to Fail’”.

Este jornal questionou a assessoria de imprensa do Banco Económico para aferir sobre as contas da instituição referente ao ano passado e sobre o número de colaboradores que já abandonaram a entidade na sequência da crise, mas até ao fecho deste artigo não obtivemos respostas.

Saída de Carlos Duarte do Banco Económico ‘destapa’ crise profunda na instituição

Por desalinhamento aos interesses dos novos donos do ex-BESA, Carlos Duarte decidiu abandonar a função de presidente da comissão executiva da entidade bancária que ficou largos anos sem apresentar as contas.

abril 5, 2023 - 13:05
Última atualização   - 20:06
Saída de Carlos Duarte do Banco Económico ‘destapa’ crise profunda na instituição
© Fotografia por: DR

O gestor Carlos Duarte já não é o presidente da comissão executiva (PCE) do Banco Económico, após ter apresentado, no final da tarde desta Segunda-feira, 13, ao conselho de administração a sua carta de renúncia, uma saída que deixa a descoberto um conjunto de problemas naquela instituição que só resiste no mercado angolano por decisão do banco central, como relataram fontes convergentes naquele banco.

No lugar de Carlos Duarte, o ‘board’ decidiu colocar Victor Cardoso, um gestor que a administração garante, na nota enviada à nossa redacção, ter “um sólido currículo acadêmico e um percurso profissional notável no sistema financeiro (…)”.

Oficialmente, a saída de Calos Duarte da gestão do Banco Económico é justificada por “razões pessoais”, mas o jornal Kieto Economia sabe, através de suas fontes junto do banco, que está na base do recuo do gestor desalinhamento com os interesses dos accionistas, um grupo de empresários e depositantes da entidade que foram transformados em accionistas pelo Banco Nacional de Angola (BNA), numa estratégia que o supervisor angolano encontrou para ‘salvar’ o ex-BESA, mas que se tem revelada “ineficaz”.

Segundo apurou o Kieto Economia, a crise do banco vai além do que a gestão tem ‘transpirado’ para a media, nomeadamente a estratégia de encerramento de agências e o consequente despedimento de colaboradores. Ao banco, são apontadas dificuldades de ordem financeiras graves, o que levou, por exemplo, “a contabilidade da instituição a fazer arranjos nos relatórios e contas dos anos anteriores para dar a entender ao público que o banco gozava de boa saúde”.

Embora não se saiba ainda das contas do banco referente ao quatro trimestre de 2022, a nossa fonte garantiu mesmo que, até finais de Dezembro do ano passado, o banco volta a registar prejuízos, situação que deverá continuar nos próximos exercícios financeiros.
“Este banco é um gigante de pés de barro. Não é concebível que tenhamos uma estrutura física como este edificio e não termos dinheiro para dar aos nossos clientes. Nem mesmo para salário. Esse banco não existe, na prática”, desabafou a fonte, referindo-se aos dias sombrios porque passa uma das instituições financeiras bancárias que já foi o exlibris da banca angolana.

Carlos Duarte não demorou um ano no mandato, isto depois de ter deixado a sua função de gestor da ENSA. Aliás, devido à crise do Banco Económico, a Carlos Duarte foi vedada até a possibilidade de contratação de pessoal, uma vez que, até para pagar salários, o banco já equacionava socorrer-se de empréstimos junto do BNA.

Ao Kieto Economia, analistas não descartam a possibilidade de estar a aproximarem-se dias ainda mais dificil na administração daquele banco, uma situação que, segundo os peritos, será imputada ao banco central já que “não escolheu as melhores opções para salvar o Económico, que é ‘Too Big to Fail’”.

Este jornal questionou a assessoria de imprensa do Banco Económico para aferir sobre as contas da instituição referente ao ano passado e sobre o número de colaboradores que já abandonaram a entidade na sequência da crise, mas até ao fecho deste artigo não obtivemos respostas.

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