Especialistas advogam uso das reservas para travar desvalorização do kwanza.

A maioria dos especialistas em matéria económica e financeira defenderam, recentemente, em Luanda, que o Banco Nacional de Angola (BNA) deve aplicar imediatamente as reservas internacionais visando travar a contínua desvalorização do kwanza.

A intenção segundo os especialistas, é o equilíbrio económico, o controlo dos preços, colocar os cambiais no mercado, de modos aliviar a pressão sobre a moeda nacional e salvar o kwanza tendo em conta a imagem do país nos mercados além fronteira.

O consultor da GB-consultores reunidos,lda, Galvão Branco não tem dúvidas sobre esta necessidade e considera fundamental que o BNA deve proceder desta maneira rapidamente, face às consequências decorrentes da pressão social originadas pelo agravamento do custo de vida.

Num contexto bastante fragilizado, disse, conforme os níveis de pobreza, é imperioso que se recorra às Reservas Internacionais para se atender às necessidades cambiais e por esta via estabilizar o consumo, sobretudo dos bens essenciais garantidos por via da importação que se apresentam na diversificação da economia.

Reiterou não existirem outras medidas tendentes à estabilização da moeda nacional de forma sustentada, se não aplicação e uso das respectivas reservas internacionais.

Já o engenheiro, especialista em petróleo e gás, Patrício Quigongo, na sua reflexão realçou de forma igual, afirmando que, que não há outra forma de poder impactar positivamente a questão cambial, pelo que, a única que existe é mesmo o BNA intervir no mercado e disponibilizar alguma moeda estrangeira para estabilizar o mercado cambial. 

Na sua óptica, esta-se a sofrer dois impactos, nomeadamente, um que tem a ver com a desvalorização do Kwanza e outro com o aumento do preço da gasolina, pois que, o efeito combinado destes dois é o aumento da inflação dos preços.

Recordou que, à cerca de um mês, quando se iniciou a derrapagem da moeda nacional, o então governador do BNA e agora ministro de Estado da Coordenação Económica, José Massano, havia dito, que o Banco central só iria intervir se houvesse uma situação de pânico, “Que para muitos, já estamos na linha vermelha”.

Por sua vez, Hugo Teles, Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Banco Internacional de Crédito (BIC), salientou, também que,  a venda de divisas assegurada pelo Ministério das Finanças não tem sido a melhor solução e que a resolução imediata e eficiente seria a intervenção do BNA.

Hugo Teles disse que nos últimos 45 dias, o Ministério das Finanças não colocou dólares no mercado, enquanto que, o BNA colocou 400 milhões USD, totalmente absorvidos pela banca, o que para ele, foi um valor muito inferior às necessidades, o que não evitou a “marcha” da depreciação “não foi quebrada”.

“A única solução parece ser agora utilizar as reservas internacionais, que ao nível actual garantem seis meses de importação” esclareceu, o PCE do BIC.

Fonte: Jornal Expansão 

Especialistas advogam uso das reservas para travar desvalorização do kwanza

A maioria dos especialistas em matéria económica e financeira defenderam, recentemente, em Luanda, que o Banco Nacional de Angola (BNA) deve aplicar imediatamente as reservas internacionais visando travar a contínua desvalorização do kwanza.

Jun 24, 2023 - 12:13
Última atualização   - 14:21
Especialistas advogam uso das reservas para travar desvalorização do kwanza
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Especialistas advogam uso das reservas para travar desvalorização do kwanza

A intenção segundo os especialistas, é o equilíbrio económico, o controlo dos preços, colocar os cambiais no mercado, de modos aliviar a pressão sobre a moeda nacional e salvar o kwanza tendo em conta a imagem do país nos mercados além fronteira.

O consultor da GB-consultores reunidos,lda, Galvão Branco não tem dúvidas sobre esta necessidade e considera fundamental que o BNA deve proceder desta maneira rapidamente, face às consequências decorrentes da pressão social originadas pelo agravamento do custo de vida.

Num contexto bastante fragilizado, disse, conforme os níveis de pobreza, é imperioso que se recorra às Reservas Internacionais para se atender às necessidades cambiais e por esta via estabilizar o consumo, sobretudo dos bens essenciais garantidos por via da importação que se apresentam na diversificação da economia.

Reiterou não existirem outras medidas tendentes à estabilização da moeda nacional de forma sustentada, se não aplicação e uso das respectivas reservas internacionais.

Já o engenheiro, especialista em petróleo e gás, Patrício Quigongo, na sua reflexão realçou de forma igual, afirmando que, que não há outra forma de poder impactar positivamente a questão cambial, pelo que, a única que existe é mesmo o BNA intervir no mercado e disponibilizar alguma moeda estrangeira para estabilizar o mercado cambial. 

Na sua óptica, esta-se a sofrer dois impactos, nomeadamente, um que tem a ver com a desvalorização do Kwanza e outro com o aumento do preço da gasolina, pois que, o efeito combinado destes dois é o aumento da inflação dos preços.

Recordou que, à cerca de um mês, quando se iniciou a derrapagem da moeda nacional, o então governador do BNA e agora ministro de Estado da Coordenação Económica, José Massano, havia dito, que o Banco central só iria intervir se houvesse uma situação de pânico, “Que para muitos, já estamos na linha vermelha”.

Por sua vez, Hugo Teles, Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Banco Internacional de Crédito (BIC), salientou, também que,  a venda de divisas assegurada pelo Ministério das Finanças não tem sido a melhor solução e que a resolução imediata e eficiente seria a intervenção do BNA.

Hugo Teles disse que nos últimos 45 dias, o Ministério das Finanças não colocou dólares no mercado, enquanto que, o BNA colocou 400 milhões USD, totalmente absorvidos pela banca, o que para ele, foi um valor muito inferior às necessidades, o que não evitou a “marcha” da depreciação “não foi quebrada”.

“A única solução parece ser agora utilizar as reservas internacionais, que ao nível actual garantem seis meses de importação” esclareceu, o PCE do BIC.

Fonte: Jornal Expansão