Execesso de Kwanzas ‘rasgados’ nos ATM enfurece famílias.

Número assustador de notas rasgadas nos multicaixas levanta onda de duras críticas ao banco central, que, na pessoa do seu governador, garantiu, de viva voz, que as notas da série ‘2020’ eram “duráveis”, “seguras” e “modernas”. Pouco menos de três anos desde a entrada em circulação, já são incontáveis as reclamações contra o novo dinheiro que se inspira na moeda única europeia, o Euro.

Vários agentes económicos nacionais e até expatriados já se manifestam agastados com o elevado número de notas de Kwanzas da série ‘2020’ em mau estado de conservação que saem nos multicaixas. Dos Kinguilas aos empresários da economia formal, ninguém se poupou nos protestos contra o Banco Nacional de Angola (BNA) e os  bancos comerciais, já que, segundo relataram ao Kieto Economia, a cada 10 mil Kwanzas sacados do multicaixa, metade pode ser de notas rasgadas ou mau tratadas. 
Estes operadores chegaram mesmo a descredibilizar as declarações de responsáveis do BNA, que, por altura do lançamento da nova familia do Kwanza, defenderam ser um dinheiro “mais durável”, “mais seguro” e “mais modernos”. 
Passados pouco menos de três anos, a verdade é que os adjectivos do BNA não passaram de palavras, como contam vários vendedores do mercado informal do 30 e da Praça da Madeira, na Sapú 2. 

Os agentes económicos questionam não só a qualidade das notas, mas a postura dos bancos comerciais que, após a recepção nos depósitos de notas em mau estado, ainda assim os recolocam em circulação para trocas comerciais. 
Ao jornal Kieto Economia, Victor Malulua, vendendor de tecidos africanos, conta que os centros de ATM dos bancos Angolano de Investimento (BAI), BFA e Atlântico são os que lideram na dispensação de notas quase destruídas, ou como o próprio qualificou “notas estragadas”. 

“Não é  possível. A pessoa até perde o negócio. Às vezes, todo dinheiro que a pessoa tira do multicaixa está ‘amarrotado’. Se não está assim, está todo ele cortado. Afinal, no banco é sítio de guardar dinheiro rasgado?”, desabafou o comerciante, que, por conta disso, já optou por instalar jogos de ‘roleta de moeda’ para acumular aquele meio de pagamento, que, para ele, dura mais que as notas. 

 As novas notas de kwanza “série 2020” entraram em circulação a 30 de Julho desse mesmo ano, num acto que teve o número um do banco central como orador principal. Durante a apresentação da nova familia do Kwanza, José Massano e seus auxiliares imediatos garantiram, com ênfase, que as novas notas eram seguras. 
Mas foi a Sebatião Banganga que coube a apresentação das caracteríticas do novo dinheiro da República de Angola.  Segundo aquele responsável do Departamento de Meios Circulantes, as notas de 200 a 2.000 kwanzas são feitas com material de polímero (plástico), contendo elementos de segurança inovadores, que previnem a contrafacção, com níveis de menor desgaste e deterioração e, por isso, têm maior durabilidade. 

A verdade é que, passado os três anos, o entusiasmo do BNA caiu por terra, já que as familias, principais utilizadores das notas em espécie reprovaram a qualidade do dinheiro que os quadros do BNA atribuíram o epíteto de “seguro” e “durável”. 
Às reclamações das familias, somam-se os problemas com os ATMs. Para muitos, parte das dificuldades com as notas têm origem na falha dos ATM. Segundo André Mayembe, outro vendedor de saldo electrónico que falou à nossa reportagem, muitos dos ATMs dispersos por Luanda e noutras provincias estão encravados, o que dificulta na dispensação das notas. Muitas delas acabam mesmo por se destruir por altura do levantamento naquelas máquinas. 

Entretanto, o Kieto Economia sabe de fonte da administração da Empresa Interbancária de Serviços (Emis) que a falta de manutenção  das máquinas automáticas de pagamento é a principal causa das travagens desses aparelhos na hora dos levantamentos, além de que muitas estão posicionadas em zonas periféricas. 


O jornal Kieto Economia contactou o gabinete de comunicação e marca do Banco Nacional de Angola para aferir ou pedir esclarecimentos sobre o que as famílias chamam de “fraca qualidade das notas” e sobre como anda o ‘stock’ de dinheiro impressos na Rússia a um custo de 30 milhões de dólares, mas até ao fecho deste artigo não obtivemos respostas.

Execesso de Kwanzas ‘rasgados’ nos ATM enfurece famílias

Número assustador de notas rasgadas nos multicaixas levanta onda de duras críticas ao banco central, que, na pessoa do seu governador, garantiu, de viva voz, que as notas da série ‘2020’ eram “duráveis”, “seguras” e “modernas”. Pouco menos de três anos desde a entrada em circulação, já são incontáveis as reclamações contra o novo dinheiro que se inspira na moeda única europeia, o Euro.

Mar 22, 2023 - 12:01
Última atualização   - 15:00
Execesso de Kwanzas ‘rasgados’ nos ATM enfurece famílias
© Fotografia por: DR

Vários agentes económicos nacionais e até expatriados já se manifestam agastados com o elevado número de notas de Kwanzas da série ‘2020’ em mau estado de conservação que saem nos multicaixas. Dos Kinguilas aos empresários da economia formal, ninguém se poupou nos protestos contra o Banco Nacional de Angola (BNA) e os  bancos comerciais, já que, segundo relataram ao Kieto Economia, a cada 10 mil Kwanzas sacados do multicaixa, metade pode ser de notas rasgadas ou mau tratadas. 
Estes operadores chegaram mesmo a descredibilizar as declarações de responsáveis do BNA, que, por altura do lançamento da nova familia do Kwanza, defenderam ser um dinheiro “mais durável”, “mais seguro” e “mais modernos”. 
Passados pouco menos de três anos, a verdade é que os adjectivos do BNA não passaram de palavras, como contam vários vendedores do mercado informal do 30 e da Praça da Madeira, na Sapú 2. 

Os agentes económicos questionam não só a qualidade das notas, mas a postura dos bancos comerciais que, após a recepção nos depósitos de notas em mau estado, ainda assim os recolocam em circulação para trocas comerciais. 
Ao jornal Kieto Economia, Victor Malulua, vendendor de tecidos africanos, conta que os centros de ATM dos bancos Angolano de Investimento (BAI), BFA e Atlântico são os que lideram na dispensação de notas quase destruídas, ou como o próprio qualificou “notas estragadas”. 

“Não é  possível. A pessoa até perde o negócio. Às vezes, todo dinheiro que a pessoa tira do multicaixa está ‘amarrotado’. Se não está assim, está todo ele cortado. Afinal, no banco é sítio de guardar dinheiro rasgado?”, desabafou o comerciante, que, por conta disso, já optou por instalar jogos de ‘roleta de moeda’ para acumular aquele meio de pagamento, que, para ele, dura mais que as notas. 

 As novas notas de kwanza “série 2020” entraram em circulação a 30 de Julho desse mesmo ano, num acto que teve o número um do banco central como orador principal. Durante a apresentação da nova familia do Kwanza, José Massano e seus auxiliares imediatos garantiram, com ênfase, que as novas notas eram seguras. 
Mas foi a Sebatião Banganga que coube a apresentação das caracteríticas do novo dinheiro da República de Angola.  Segundo aquele responsável do Departamento de Meios Circulantes, as notas de 200 a 2.000 kwanzas são feitas com material de polímero (plástico), contendo elementos de segurança inovadores, que previnem a contrafacção, com níveis de menor desgaste e deterioração e, por isso, têm maior durabilidade. 

A verdade é que, passado os três anos, o entusiasmo do BNA caiu por terra, já que as familias, principais utilizadores das notas em espécie reprovaram a qualidade do dinheiro que os quadros do BNA atribuíram o epíteto de “seguro” e “durável”. 
Às reclamações das familias, somam-se os problemas com os ATMs. Para muitos, parte das dificuldades com as notas têm origem na falha dos ATM. Segundo André Mayembe, outro vendedor de saldo electrónico que falou à nossa reportagem, muitos dos ATMs dispersos por Luanda e noutras provincias estão encravados, o que dificulta na dispensação das notas. Muitas delas acabam mesmo por se destruir por altura do levantamento naquelas máquinas. 

Entretanto, o Kieto Economia sabe de fonte da administração da Empresa Interbancária de Serviços (Emis) que a falta de manutenção  das máquinas automáticas de pagamento é a principal causa das travagens desses aparelhos na hora dos levantamentos, além de que muitas estão posicionadas em zonas periféricas. 


O jornal Kieto Economia contactou o gabinete de comunicação e marca do Banco Nacional de Angola para aferir ou pedir esclarecimentos sobre o que as famílias chamam de “fraca qualidade das notas” e sobre como anda o ‘stock’ de dinheiro impressos na Rússia a um custo de 30 milhões de dólares, mas até ao fecho deste artigo não obtivemos respostas.