BCI não pára de 'despedir' e fecha Iº semestre de 2023 com redução de 17% na estrutura de pessoal.

Desde que saiu do controlo do Estado, em 2021, banco adoptou uma postura que tem na redução de quadros, encerramento de agências e cobrança coerciva de dívidas de crédito a sua base. Só nos primeiros seis meses de 2023, a instituição detida pelo Grupo Carrinho 'mandou para casa' e negociou rescisão de mútuo acordo com perto de 90 funcionários. Mas não é tudo: o banco também encerrou, no período, 10 das suas agências.

O Banco de Comércio e Indústria (BCI) mantém-se de ‘de pedra e cal’ na sua estratégia de redimensionamento e optmização da sua estrutura, com cortes seguidos na sua base de colaboradores e agências. Até ao primeiro semestre do ano passado (2023), o banco terminou vínculo com quase 90 colaboradores da instituição que foi comprada ao Estado, uma redução de 17% face ao total de profissionais que a entidade bancária empregava até 31 de Dezembro de 2022, de acordo com o relatório e contas do primeiro semestre de 2023 a que o Kieto Economia teve acesso. 

Ao corte na estrutura do pessoal soma-se ainda a redução dos pontos de atendimentos. Também no mesmo período, o BCI ‘deixou cair’ 10 agências no total da sua rede de capilaridade bancária actual, isto só no primeiro semestre. 

Esta não é a primeira vez que as contas do BCI registam queda no número de colaboradores e agências. Este processo teve inicio, na prática, desde que a instituição saiu do controlo do Estado por uma venda polémica que só rendeu aos cofres públicos os “módicos”, segundo analistas, 29,3 milhões de dólares, naquela que foi a primeira grande privatização ao abrigo do Programa de Privatizações do Governo (PROPRIV). 

Antes de passar para as ‘mãos’ da família Carrinho, o BCI tinha uma base de funcionários acima de 1000 colaboradores, das maiores do sector bancário de então. 

No período, o BCI tinha na sua estrutura acionista o Ministério das Finanças, com 99,45% das participações, a Sonangol (0,11%); a ENSA (0,11%); o Porto de Luanda (0,11%); a TAAG (0,11%); a TCUL (0,04%); a ENDIAMA (0,04%) e a Angola Telecom (0,04%), de acordo com o balanço individual consolidado assinado pela PCA  Zenaida Zumbi, no final do exercício financeiro 2021.
 
Com a entrada do Grupo Carrinho no negócio, entidade que, sozinha, detém os 100% das participações do banco, deu-se início a um amplo processo de redução e cortes de despesas, sobretudo no pessoal, que ‘varreu’ daquele banco perto de 600 quadros.
 
Só para se ter uma ideia, a gestão escolhida pelo novo dono Carrinho fez uma ‘limpeza’ de quase metade dos funcionários daquela instituição que era a segunda no mercado angolano a atender os salários da função pública, depois do BPC, antes de o Banco Nacional de Angola (BNA) ter liberalizado a domiciliação de salários do pessoal da função pública a qualquer um dos bancos do segmento financeiro doméstico.
 
No relatório e contas do primeiro semestre de 2023, a gestão do BCI justificou o corte no número de agências com o “aprimorar da sua rede de atendimento”, o que resultou na redução significativa para 53 pontos de atendimentos. 

“Essa medida foi cuidadosamente planeada com foco em metas de curto e médio prazo, com o objcetivo de optimizar a utilização dos recursos do banco, assegurando ao mesmo tempo a estabilidade financeira e operacional da instituição”, lê-se no preâmbulo do documento que resume a actividade financeira da instituição no período. 

No documento, a gestão também enfatiza que a reestruturação foi concebida tendo em consideração constante os interesses dos colaboradores. “ (…) Como parte deste processo, realocamos os funcionários que trabalhavam nos pontos de atendimento afectados, oferecendo-lhes novas oportunidades dentro do BCI, em outros pontos ou em nossos serviços centrais e fora em empresas parceiras ou propostas de resolução de mútuo acordo com vantagens significativas para o colaborador”, argumenta a administração do BCI. 

Lucros crescem com 'folga'

No primeiro semestre de 2023, os resultados líquidos do BCI registaram um crescimento da ordem dos 228% para 20,2 mil milhões de Kwanzas. Este resultado apaga o prejuízo registado em igual período anterior quando as contas da instituição detida pela Carrinho inscreveu um resultado líquido negativo da ordem dos 15,7 mil milhões de Kwanzas.

BCI não pára de 'despedir' e fecha Iº semestre de 2023 com redução de 17% na estrutura de pessoal

Desde que saiu do controlo do Estado, em 2021, banco adoptou uma postura que tem na redução de quadros, encerramento de agências e cobrança coerciva de dívidas de crédito a sua base. Só nos primeiros seis meses de 2023, a instituição detida pelo Grupo Carrinho 'mandou para casa' e negociou rescisão de mútuo acordo com perto de 90 funcionários. Mas não é tudo: o banco também encerrou, no período, 10 das suas agências.

Fev 26, 2024 - 15:30
Última atualização   - 15:32
BCI não pára de 'despedir' e fecha Iº semestre de 2023 com redução de 17% na estrutura de pessoal
© Fotografia por: DR
BCI não pára de 'despedir' e fecha Iº semestre de 2023 com redução de 17% na estrutura de pessoal

O Banco de Comércio e Indústria (BCI) mantém-se de ‘de pedra e cal’ na sua estratégia de redimensionamento e optmização da sua estrutura, com cortes seguidos na sua base de colaboradores e agências. Até ao primeiro semestre do ano passado (2023), o banco terminou vínculo com quase 90 colaboradores da instituição que foi comprada ao Estado, uma redução de 17% face ao total de profissionais que a entidade bancária empregava até 31 de Dezembro de 2022, de acordo com o relatório e contas do primeiro semestre de 2023 a que o Kieto Economia teve acesso. 

Ao corte na estrutura do pessoal soma-se ainda a redução dos pontos de atendimentos. Também no mesmo período, o BCI ‘deixou cair’ 10 agências no total da sua rede de capilaridade bancária actual, isto só no primeiro semestre. 

Esta não é a primeira vez que as contas do BCI registam queda no número de colaboradores e agências. Este processo teve inicio, na prática, desde que a instituição saiu do controlo do Estado por uma venda polémica que só rendeu aos cofres públicos os “módicos”, segundo analistas, 29,3 milhões de dólares, naquela que foi a primeira grande privatização ao abrigo do Programa de Privatizações do Governo (PROPRIV). 

Antes de passar para as ‘mãos’ da família Carrinho, o BCI tinha uma base de funcionários acima de 1000 colaboradores, das maiores do sector bancário de então. 

No período, o BCI tinha na sua estrutura acionista o Ministério das Finanças, com 99,45% das participações, a Sonangol (0,11%); a ENSA (0,11%); o Porto de Luanda (0,11%); a TAAG (0,11%); a TCUL (0,04%); a ENDIAMA (0,04%) e a Angola Telecom (0,04%), de acordo com o balanço individual consolidado assinado pela PCA  Zenaida Zumbi, no final do exercício financeiro 2021.
 
Com a entrada do Grupo Carrinho no negócio, entidade que, sozinha, detém os 100% das participações do banco, deu-se início a um amplo processo de redução e cortes de despesas, sobretudo no pessoal, que ‘varreu’ daquele banco perto de 600 quadros.
 
Só para se ter uma ideia, a gestão escolhida pelo novo dono Carrinho fez uma ‘limpeza’ de quase metade dos funcionários daquela instituição que era a segunda no mercado angolano a atender os salários da função pública, depois do BPC, antes de o Banco Nacional de Angola (BNA) ter liberalizado a domiciliação de salários do pessoal da função pública a qualquer um dos bancos do segmento financeiro doméstico.
 
No relatório e contas do primeiro semestre de 2023, a gestão do BCI justificou o corte no número de agências com o “aprimorar da sua rede de atendimento”, o que resultou na redução significativa para 53 pontos de atendimentos. 

“Essa medida foi cuidadosamente planeada com foco em metas de curto e médio prazo, com o objcetivo de optimizar a utilização dos recursos do banco, assegurando ao mesmo tempo a estabilidade financeira e operacional da instituição”, lê-se no preâmbulo do documento que resume a actividade financeira da instituição no período. 

No documento, a gestão também enfatiza que a reestruturação foi concebida tendo em consideração constante os interesses dos colaboradores. “ (…) Como parte deste processo, realocamos os funcionários que trabalhavam nos pontos de atendimento afectados, oferecendo-lhes novas oportunidades dentro do BCI, em outros pontos ou em nossos serviços centrais e fora em empresas parceiras ou propostas de resolução de mútuo acordo com vantagens significativas para o colaborador”, argumenta a administração do BCI. 

Lucros crescem com 'folga'

No primeiro semestre de 2023, os resultados líquidos do BCI registaram um crescimento da ordem dos 228% para 20,2 mil milhões de Kwanzas. Este resultado apaga o prejuízo registado em igual período anterior quando as contas da instituição detida pela Carrinho inscreveu um resultado líquido negativo da ordem dos 15,7 mil milhões de Kwanzas.