Deloitte coloca Estado a concorrer com privados nos prémios Sirius e sofre duras críticas da classe empresarial.

Líder das bigFour da consultoria financeira e fiscal do mundo está a ser questionada por ter colocado, em várias das categorias dos prémios Sirius deste ano, o Estado/Governo a competir com empresários privados, pessoas que, com recursos próprios iniciaram negócios que dão vida às várias famílias angolanas. Numa das categorias, por exemplo, é colocado o Fundo de Apoio social (FAS) a ‘correr’ na mesma faixa com empresas como o Grupo Carrinho e a Omatapalo. Analistas, em bloco, criticam organização do evento, que tem a primeira-dama da República como Juri do certame.

Pela primeira vez na história dos prémios Sírius em Angola, a empresa organizadora, a Deloitte, está a sofrer uma onda de contestação, por, entre outros, criar categorias que junta individualidades públicas ou ligadas ao Estado a competirem com entes privados. A Deloitte juntou ainda iniciativas estatais, como Fundo de Apoio Social (FAS) e a Sonangol, a concorrer com gigantes da economia nacional, nomeadamente o Grupo Carrinho, a Unitel, o BFA e Catoca, na categoria de prémios de responsabilidade social.

De acordo com vários analistas e até gestores de grandes marcas e empresas, a organização falha ao colocar o Estado, que tem obrigação de olhar pelas famílias, a concorrer com instituições privadas, que, “do pouco que às vezes lhes sobra, ainda conseguem levar um sorriso às famílias angolanas”.

“Não é justo que a Deloitte tenha concebido os prémios nestas condições. Não faz sentido. Se fosse para ser assim, nem valeria a pena chamarem as empresas neste desafio. É claro que o Estado ganha em tudo; tem mais dinheiro e é quem autoriza a Deloitte a operar em Angola. Assim como é que fica”, desabafou um gestor, líder de opinião no sector financeiro.

De críticas não é tudo. A Deloitte sofre ainda com o facto de colocar José de Lima Massano, governador do BNA, a lutar por um prémio em que os concorrentes são gestores do sector privado.

Massano, que leva vantagens por ser governador de uma instituição pública de grande responsabilidade e influência, pleiteia com Berlamino Jelembi, também do Estado, Edson dos Santos, PCA da Somoil e Hélder Araujo, do grupo Casais Angola.

“Isso é brincadeira”, atirou outro líder de uma associação empresarial, que teceu duras críticas ao evento que, segundo o próprio, “ganhou cunho político”.

Como forma de aferir sob que condições é que as categorias foram escolhidas, e saber se a organização terá mudado o seu modelo de trabalho, Kieto Economia ligou, por várias vezes ao partner da Deloitte, José Barata, mas, até ao fecho deste artigo não teve sucesso.

Deloitte coloca Estado a concorrer com privados nos prémios Sirius e sofre duras críticas da classe empresarial

Líder das bigFour da consultoria financeira e fiscal do mundo está a ser questionada por ter colocado, em várias das categorias dos prémios Sirius deste ano, o Estado/Governo a competir com empresários privados, pessoas que, com recursos próprios iniciaram negócios que dão vida às várias famílias angolanas. Numa das categorias, por exemplo, é colocado o Fundo de Apoio social (FAS) a ‘correr’ na mesma faixa com empresas como o Grupo Carrinho e a Omatapalo. Analistas, em bloco, criticam organização do evento, que tem a primeira-dama da República como Juri do certame.

abril 6, 2023 - 13:16
Última atualização   - 14:15
Deloitte coloca Estado a concorrer com privados nos prémios Sirius e sofre duras críticas da classe empresarial
© Fotografia por: DR

Pela primeira vez na história dos prémios Sírius em Angola, a empresa organizadora, a Deloitte, está a sofrer uma onda de contestação, por, entre outros, criar categorias que junta individualidades públicas ou ligadas ao Estado a competirem com entes privados. A Deloitte juntou ainda iniciativas estatais, como Fundo de Apoio Social (FAS) e a Sonangol, a concorrer com gigantes da economia nacional, nomeadamente o Grupo Carrinho, a Unitel, o BFA e Catoca, na categoria de prémios de responsabilidade social.

De acordo com vários analistas e até gestores de grandes marcas e empresas, a organização falha ao colocar o Estado, que tem obrigação de olhar pelas famílias, a concorrer com instituições privadas, que, “do pouco que às vezes lhes sobra, ainda conseguem levar um sorriso às famílias angolanas”.

“Não é justo que a Deloitte tenha concebido os prémios nestas condições. Não faz sentido. Se fosse para ser assim, nem valeria a pena chamarem as empresas neste desafio. É claro que o Estado ganha em tudo; tem mais dinheiro e é quem autoriza a Deloitte a operar em Angola. Assim como é que fica”, desabafou um gestor, líder de opinião no sector financeiro.

De críticas não é tudo. A Deloitte sofre ainda com o facto de colocar José de Lima Massano, governador do BNA, a lutar por um prémio em que os concorrentes são gestores do sector privado.

Massano, que leva vantagens por ser governador de uma instituição pública de grande responsabilidade e influência, pleiteia com Berlamino Jelembi, também do Estado, Edson dos Santos, PCA da Somoil e Hélder Araujo, do grupo Casais Angola.

“Isso é brincadeira”, atirou outro líder de uma associação empresarial, que teceu duras críticas ao evento que, segundo o próprio, “ganhou cunho político”.

Como forma de aferir sob que condições é que as categorias foram escolhidas, e saber se a organização terá mudado o seu modelo de trabalho, Kieto Economia ligou, por várias vezes ao partner da Deloitte, José Barata, mas, até ao fecho deste artigo não teve sucesso.

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